A Chapada Diamantina sempre foi cenário para o cinema e audiovisual.

Mas quantos chapadenses estavam nestes sets?

Foto do curta-metragem "A Lenda do Pai Inácio ou Kokumo?" Produção Tivi Griô

São diversos filmes, entre longas e curtas metragens, séries, publicidade, vídeos clipes, reportagens e novelas filmadas no vasto território chapadense, em especial, nos municípios que ficam no Parque Nacional da Chapada Diamantina: Palmeiras, Lençóis, Mucugê, Ibicoara e Andaraí.


De Cristais de Sangue (Alkalay, Luna/1975) a Longe do Paraíso (Senna, Orlando/2020), De Pedra sobre Pedra (TV Globo/1992) a Nos Tempos do Imperador (TV Globo/2021), de Jimmy Page a Luisa Sonza são muitos sets de filmagens montados e desmontados. E a pergunta permanece: quantos chapadenses estavam nestes sets?



Galeria com fotos: Clipe Luisa Sonza, Novela Nos tempos do Imperador e Filme Longe do Paraíso


Com a pandemia do #novocoronavirus e a paralisação do setor audiovisual, um grupo baiano se mobilizou e fundou o FilmaBahia, um coletivo de profissionais das mais diversas áreas como produção, maquinaria, iluminação, fotografia, arte, direção, dentre outros, sendo esta grande maioria de moradores da capital Salvador. Como os encontros são online, os profissionais que atuam neste mercado e moram no interior, puderam se juntar ao grupo e, juntos, conversarem sobre a sobrevivência, a comida na mesa, as políticas estaduais e federais para o setor. Com esta nova realidade, algumas pessoas que residem na Chapada Diamantina trouxeram o questionamento sobre a contratação de pessoas dos territórios nos sets de filmagens “de fora”. Sabemos que a contratação existe, mas ela é muito pequena em relação ao todo, e a capacidade técnica dos profissionais que moram no interior acaba sendo questionada, pelo simples fato de morarem no interior.


Após um ano de pandemia, com o início das vacinas e a retomada gradativa das filmagens, a DIMAS – Diretoria de Audiovisual da Bahia – convidou alguns representantes de grupos, coletivos, associações e autônomos para um encontro virtual com a seguinte pauta:


  1. PROTOCOLO DE RETOMADA DAS ATIVIDADES CINEMATOGRÁFICAS DE SET DE FILMAGENS

  2. PLATAFORMA DE PROFISSIONAIS E EMPRESAS DO AUDIOVISUAL DA BAHIA

  3. MAPEAMENTO DE OBRAS BAIANAS DISPONÍVEIS PARA COMERCIALIZAÇÃO



Hewelin Fernandes

Pelo Território da Chapada Diamantina, foram convidadas a jornalista e roteirista Hewelin Fernandes, moradora do Vale do Capão (Palmeiras) e a produtora Renata Semayangue, moradora de Lençóis.






Lembrando que a constituição dos Territórios de Identidade aconteceu a partir de 2007 com o objetivo de identificar prioridades temáticas definidas a partir da realidade local, possibilitando o desenvolvimento equilibrado e sustentável entre as regiões. O Território de Identidade da Chapada Diamantina é composto por 23 municípios, conheça todos clicando aqui.


Saiba mais sobre Territórios de Identidade da Bahia clicando aqui.



É curioso que o convite tenha sido feito a duas mulheres de municípios que estão na rota turística e locais bastante explorados pelo turismo cinematográfico, mas estas duas mulheres não nasceram no território.

Por que eu coloco isto, sendo uma destas mulheres? Porque a Secult/Ba não tem o castramento de muitos profissionais que são da região, porque muitos destes profissionais não são conhecidos pelo mercado baiano, ou não são reconhecidos por este mercado. Mas estas pessoas existem e estão produzindo!


Pensando nisso, outro encontro foi agendado com a diretora da DIMAS, Daniela Fernandez, e as “representantes” da Chapada Hewelin e Renata. Tendo como pauta:


  1. Articulação dos profissionais do cinema e audiovisual da Chapada Diamantina;

  2. Entendimento do que é a Bahia Film Commission (link: Saiba mais sobre a Bahia Film Commission )



E toda esta introdução foi feita para chegar exatamente neste ponto:


Como podemos articular os profissionais do cinema e audiovisual do nosso território de identidade, formado por 23 municípios? Como podemos nos conhecer e nos fortalecer mais, para que as grandes produções também nos conheçam e nos contrate cada vez mais? Como as pessoas que escolheram este território para morar podem apoiar a formação e contratação dos nascidos na Chapada Diamantina?


A Tivi Griô - Web TV e Cineclube gerido por jovens chapadenses foi fundada pelo Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô e atua na formação de jovens chapadenses produzindo e exibindo diversos produtos audiovisuais, desde curta-metragens, web-séries até um Telejornal PAU DE ANUM.


A TiVi aula espetáculo é uma prática de produção partilhada do conhecimento da Pedagogia Griô. O nome nasceu de uma brincadeira com a língua estrangeira e o sotaque nordestino, e ao mesmo tempo chamar a comunidade para se ver desde uma perspectiva de si consigo mesmo, com o outro e com a comunidade, valorizando sua identidade e ancestralidade;

Griô, palavra que surgiu na África Ocidental, identificando um grupo de contadores de história e comunicadores sociais que caminham de aldeia em aldeia, aprendendo e ensinando a cultura daquele povo em rodas de memórias, histórias, diálogos e sabedorias.

A TiVi Griô tem o objetivo de ser itinerante e caminhante como os griôs, de abrir portas e colocar todos na roda da sabedoria, de promover encontros e tecer redes comunitárias e democráticas de participação, onde cada um se expressa a partir de sua identidade e ancestralidade local se vinculando à cultura da diversidade."

Afirma Líllian Pacheco, coordenadora pedagógica do Grãos de Luz e Griô. Durante mais de dez anos, a TIVI Griô forma jovens nascidos no território da Chapada Diamantina em audiovisual e fotografia.



Uilami Dejan, Ciro Pacheco e Michele Nascimentos são exemplos de jovens que foram formados pela Tivi Griô e, hoje, atuam no mercado chapadense, como fotógrafos, diretores de fotografia e editores audiovisuais.




Então, por que as produções "de fora" não contratam estes profissionais, quando chegam aqui com suas "grandes produções"?



Atualmente, estes jovens são multiplicadores do conhecimento e formam outros jovens, sempre com a base de pertencimento ao território Chapadense. Um exemplo disto é o diretor de fotografia Uilami Dejan que, que é professor na Tivi Griô, também esteve presente na ELA - Escola Livre Audiovisual


Com a pandemia do #novocoronavírus, a ELA fez uma grande articulação para uma formação online no território, trazendo profissionais que atuam no mercado e que são da região como Iago Aquino/Seabra (Curso Livre Direção de fotografia), Uilami Dejan/Lençóis (Curso Livre Fotografia estática), Gelson Moura/Jacobina (Curso Livre de áudio), Solange Lima/Lençóis (Curso Livre Produção), Diosvaldo Filho/Seabra (Curso Livre Redes Sociais), mesclando com profissionais que moram no território como Juca Badaró/Lençóis (Curso Livre Linguagem audiovisual), Hewelin Fernandes (Curso Livre Roteiro), dentre outros.


Além de ter em sua coordenação: Caroline Oliveira/Boninal, Mayara Luane/Guiné, Érika Araújo/Novo Horizonte.



A Tivi Griô também se fez presente na formação de Agentes de Culturais Griôs Quilombolas



"Neste vídeo contamos sobre nossa luta em plena pandemia no meio virtual. O equipamento, o saber e instrumento de poder não estão nas mãos dos outros, estão nas nossas mãos, e com eles mostramos e reconhecemos nossa própria resistência, aprendizagem e valor. " Afirma Iracema Sacramento, comunidade quilombola Iúna.


Quando a comunidade se instrumentaliza, se apropria desse conhecimento e se organiza gera força pra luta do movimento quilombola.

Comenta Delvan Dias - Comunidade Quilombola do Remanso que também foi formado em audiovisual pela TiVi Griô.



Isto só demostra que:

- Sim! Temos profissionais competentes e capacitadxs para trabalhar em qualquer produção audiovisual;


- Sim! Precisamos nos conhecer mais e melhor, estarmos mais articuladxs para que os projetos sejam realizados por profissionais do território;


- Sim! Existe um grande interesse, e com isso, uma demanda de formação e produção local audiovisual.


- Sim, temos narrativas diversas e temos capacidade para contá-las.



E não são apenas as belezas naturais que atraem este turismo cinematográfico, mas a história garimpeira também é inspiração para diversas narrativas que contribuem com este imaginário de uma única história para toda Chapada Diamantina: o garimpo.

Mas isto é assunto para outro texto ;)




Renata Semayangue


Produtora de cinema e audiovisual

Gestora do Garimpei.com

Colaboradora do Grãos de Luz e Griô

Fundadora da Cinepoètyka, Cineclube Fruto do Mato

e coordenadora do Coletivo ELA.

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