A live e o grito do Rei


A solidão claustral da serrania ganhou as ruas do centro da cidade como nunca poderíamos imaginar. Um silêncio ensurdecedor onde apenas a voz do Rei surge sem concorrência. O nosso garimpeiro solitário vagueia pelas ruas pedindo RESPEITO. Mas quem quer ouvir? A rua está vazia. O usual palco da elite está vazio e sem público, assim como o palco particular que cada artista assume em sua live também é um espaço sem público, fisicamente falando. Vamos ajudar os artistas e os guias. Todos clamam, esquecendo de uma equipe de produção que atua nos bastidores e atrás do balcão, fazendo aquele trabalho acontecer. Temos barreiras na cidade que impedem a entrada de serviços não essenciais. Mas lives musicais, hoje, se tornaram um dos serviços mais essenciais, não é mesmo? Essencial ao ponto de liberar a entrada de uma equipe para fazer um serviço que poderia ser feito com gente da cidade, sem deslocamentos desnecessários. Ah, não podemos falar da invisibilidade dos profissionais e técnicos locais. Não, não hoje. É dia de aniversário. Dia de "leveza". Parabéns, Lençóis.


Texto: Renata Semayangue e Renata Reis